Resolvi fazer o meu Trabalho Final de Graduação (TCC) na Escola de Arquitetura da UFMG investigando e propondo outras formas de produção de moradias do tipo casa geminada. Observada como tipo recorrente na
atual oferta de moradias populares e de médio padrão da região metropolitana de
Belo Horizonte, a construção de casas geminadas vem se tornando pratica profissional
de alguns arquitetos e engenheiros, sendo uma alternativa de micro- empreendimento.
Isso de querer empreender é algo difícil para o arquiteto.Ainda mais difícil para os recém-formados. Empregos tem colocado o profissional arquiteto quase a equivalência de um cadista.Sem preconceitos, um cadista tem muito valor, está a serviço de algo pré-estabelecido e amarrado, e deve representá-lo dentro das perfeiçoes técnicas. Estudar arquitetura nos leva a querer movimentos no espaço construído para conformar melhor o que precisa ser conformado. E não apenas reproduzir, representar e delinear um padrão visto e revisto. Montar um escritório seria melhor, havendo bons profissionais parceiros, amigos e muitos bons contatos. E que os contatos tenham a cabeça livre das imposições do mercado.Senão vira-se cadista do mercado.
Mas voltando as casas geminadas. O aproveitamento do terreno para a construção de duas ou
mais unidades habitacionais permite a divisão dos custos do lote, diminuindo o
preço final e mantendo os benefícios para aqueles que não se adaptam a vida em apartamentos
e/ou condomínios e preferem morar em casas. Além disso, o menor custo da casa
geminada permite o estabelecimento da moradia em locais estratégicos da cidade,
os quais dispõem de serviços e infraestrutura básica e estão a uma distancia razoável
dos locais de trabalho. Estes “privilégios” urbanos estão, muitas vezes, inacessíveis
às classes populares, devido ao crescente aumento do preço da terra, expulsando
a população de baixa renda para áreas periféricas sem apoio a moradia.
A pesquisa da oferta imobiliária regional (RMBH) demonstrou
um forte atrelamento da produção de casas geminadas às politicas de
financiamento do governo federal e dos bancos privados, uma vez que a grande maioria
dos compradores desse tipo de moradia é assalariada e realiza o pagamento do imóvel
a prazo e a juros. Estas políticas e financiamentos definem regras
estabelecendo limites ao projeto arquitetônico e ao processo construtivo. O resultado são conjuntos de casas em determinadas regiões da cidade com partidos arquitetônicos e volumetrias similares ou padronizados, os quais que se repetem, remetendo assim às antigas vilas operárias.
A legislação urbanística é outro fator determinante na produção
das casas geminadas. Elas definem a altura das edificações e quantas unidades
habitacionais multifamiliares podem ser construídas por lote. Além dessas
definições, os afastamentos e as áreas mínimas e máximas fazem com que se estabeleça
um padrão construtivo. Este é reforçado por materiais de construção e de
acabamento em voga no mercado (muitos considerados
artigos de luxo como forro de gesso, piso em porcelanato, bancadas em granitos etc) os quais fazem o papel de “garantir” a venda do imóvel.
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